Produção de bolos traz renda e empoderamento para agricultoras familiares do Rio Grande do Norte
22 de janeiro de 2021

“Trabalhar na produção dos bolos deu ânimo às nossas vidas”. Foi com essa frase que Rozineide dos Santos, 40 anos, agricultora familiar e moradora da Comunidade Quilombola de Sítio Grossos, da cidade de Bom Jesus, no Rio Grande do Norte (RN), definiu a importância de participar do processo de fabricação de bolos, entregue aos alunos da Rede Estadual de Ensino de Natal (RN), juntamente com produtos da agricultura familiar. Ela é uma das mulheres associadas à Cooperativa da Agricultura Familiar da Região Potengi (CoopPotengi), que integra a União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes).

Desde dezembro de 2020, cerca de 30 mulheres da CoopPotengi começaram a trabalhar na produção dos bolos, garantindo o seu sustento e de sua família, desenvolvendo a autoestima e o empoderamento, bem como, alimentando crianças e adolescentes. Até 18 de janeiro, foram produzidos 40.509 bolos. Além da CoopPotengi, associadas de cerca de outras dez cooperativas da região também trabalham com a produção de bolos e demais alimentos.

O trabalho é resultado de chamamento público da Secretaria de Educação do Estado e é realizado através das parcerias das prefeituras de Bom Jesus e São Paulo do Potengi; Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater – RN); Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Rio Grande do Norte (Fetraf-RN) e Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Sintraf-RN).

Processo de interação social

Para a presidente da CoopPotengi, Cícera Franco, ser mulher e estar à frente de um projeto como esse é um grande desafio. “ É um processo de intercooperação, valorização do cooperativismo, de muita responsabilidade, luta e aprendizado. Ver essas mulheres felizes, ganhando sua renda, é extremamente gratificante, pois vai muito além de produzir e comercializar, é um processo de interação social e melhoria da qualidade de vida”, ressalta.

A diretora da Secretaria de Mulheres da Unicafes, Fátima Lima Torres, enfatiza que devido à pandemia do Coronavírus, as associadas pararam de comercializar seus produtos nas feiras. Com a produção dos bolos, tiveram a oportunidade de continuar tendo uma renda e estarem em atividade. “O nosso papel é de buscar o empoderamento das mulheres, através da inserção em políticas públicas. Além de trazer o sustento, que lhe dá esse empoderamento, sabemos que estar em contato com outras mulheres dialogando, trabalhando, melhora a autoestima, a saúde física e mental”, avalia.

Raiane dos Santo, 20 anos, filha de Rozineide dos Santos, agricultora familiar e também associada da CoopPotengi, afirma que além do projeto dar visibilidade para a comunidade quilombola, o sentimento é de valorização. “É motivo de satisfação estar dentro desse movimento e termos a possibilidade de termos uma vida melhor. Estamos alimentando vidas, trabalhando e colaborando com o desenvolvimento da sociedade”, frisa.

 

Texto: Daiane Benso/Ascom Unicafes Nacional
Foto: Arquivo pessoal 

 
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